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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

As reações de oxi-redução e os fenômenos biológicos.


A vida vegetal e animal, na água, depende do caráter oxidante ou redutor desta. O E0 da água varia de +0,3V a – 0,6V. Quanto mais for o valor de E0, mais oxidante será o meio aquoso. A acidez influi no caráter oxi-redutor da água: pelo princípios de Le Chatelier, um aumento da [H+] deslocará o equilíbrio no sentido do H2O, diminuindo, pois, o teor de oxigênio na água. Além disso, devido a seu caráter oxi-redutor, a água influi nos solos e, portanto, em toda a agricultura.




No campo da odontologia, reações de oxi-redução e fenômenos de formação de pilhas também geram consequências importantes. O amálgama usado em obturações, por exemplo, é preparado misturando-se 1 parte do mercúrio com 1 parte de uma liga em pó contendo prata, estanho, cobre e zinco; em alguns minutos, o amálgama estará maleável pra ser moldado na obturação e ,com mais alguns minutos, ele estará pronto para a mastigação. Com esse tipo de obturação, se mordermos um pedaço de papel de alumínio podemos sentir um choque no dente. Por que isso acontece? Porque o alumínio fecha o circuito de um pilha, provocando reações do tipo:

2Al0 + 3Sn2+ + 9Agà2Al3+ + 3Ag3Sn

Nessa reação, o alumínio é o anodo, o amálgama é o catodo e a saliva funciona como solução eletrolítica. A corrente elétrica assim gerada atinge o nervo do dente, provocando a sensação de choque. O  uso de metais ou ligas metálicas diferentes em dentes vizinhos pode também causar a formação de pilhas; nesse caso, não só o paciente poderá sentir choques na boca, mas também a corrosão das próprias restaurações odontológicas poderá ser mais rápida.

Corrosão



A corrosão é sempre uma deterioração dos metais provocada por processos eletroquímicos (reações de oxi-redução). O ferro, por exemplo, enferruja porque se estabelece uma diferença de potencial (ddp) entre um ponto e outro do objeto de ferro.




Além do ferro e do aço, outros metais e ligas metálicas também sofrem corrosão; por exemplo:




  •          O cobre e suas ligas ficam, com o tempo, recobertos por uma camada esverdeada chamada azinhavre, que é uma mistura de hidróxidos hidratados de cobre;
  •         A prata escurece com o tempo, devido à formação de uma película superficial de Ag2S, que é de cor preta; esse fenômeno é causado pelo H2S do ar.


É interessante constatar que objetos de alumínio não se oxidam com facilidade, apesar de o alumínio ser mais reativo do que vários dos metais comuns. Por que isso acontece? Na verdade, o alumínio sofre uma oxidação superficial, formando uma película muito fina de Al2O3, que permanece fortemente aderida à superfície do metal - é o fenômeno chamado de apassivação do alumínio. Essa película protege o alumínio da continuação do ataque dos agentes atmosféricos. No caso dos objetos de ferro ou de aço, a situação é diferente: a película de ferrugem que se forma é porosa, permitindo a passagem do oxigênio e da umidade do ar; desse modo, a corrosão continua até acabar com o objeto metálico.

A proteção mais comum contra a corrosão é a pintura. Em portões e grades de ferro, por exemplo, é usual lixar o metal e aplicar uma ou mais demãos de tintas à base de zarcão (Pb3O4); e, por fim, aplicar tintas especiais, na cor desejada. Chapas de aço podem ser protegidas por uma película de zinco, dando origem às chamadas chapas galvanizadas ou folhas de zinco. Essa película é obtida mergulhando-se a chapa de aço em zinco derretido ou depositando o zinco sobre o aço por meio de eletrólise.

Para retardar a corrosão do ferro ou do aço em canalizações de água, oleodutos, cascos de navios, tanques subterrâneos de combustíveis, etc. é costume ligar, a essas estruturas, blocos de outro metal mais reativo do que o ferro, como o magnésio, o zinco, etc. Tendo potencia de oxidação superior ao do ferro, o magnésio, por exemplo, será corroído mais depressa, retardando assim a corrosão do ferro ou do aço. Dizemos, nesse caso, que o magnésio funcionou como metal de sacrifício.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

As pilhas em nosso cotidiano.



Qualquer reação de oxi-redução serve para construir uma pilha eletroquímica. Até o final do século XIX, tinham sido inventados cerca de cem tipos de pilhas diferentes. A tendência foi a de se construírem pilhas de utilização cada vez mais prática, sem a presença de soluções líquidas que poderiam vazar, sem pontes salinas ou membranas porosas, que complicavam a construção da pilha.

1.      Acumulador ou bateria de automóvel ou bateria de chumbo




O acumulador foi inventado pelo francês Gaston Planté em 1860. É uma associação de pilhas ligadas em série.

A bateria de 12 volts usada nos automóveis, por exemplo, é formada por seis compartimentos (que podem ser reconhecidos pelas seis tampinhas por onde se repõe água). Cada compartimento é uma pilha (ou elemento) e produz uma fem de 2 volts (a ligação dos seis elementos em série produz, portanto, 6 " 2 volts % 12 volts). Associações com maior número de elementos dão voltagens maiores e são usadas em tratores, aviões e em instalações fixas, como centrais telefônicas, aparelhos de PABX, etc.

Durante o uso da bateria, como acontece quando damos partida no motor do automóvel, ocorrem as seguintes reações:

No anodo: polo – {Pb + SO2-4 à PbSO4  2e-
No catodo: polo positivo + {PbO2  + SO4-2 + 4 H+ + 2e- à PbSO4 + 2 H2O
Reação global: { Pb + PbO2  + 2 H2SO4  à 2PbSO4  + 2 H2O

O H2SO4 vai sendo consumido, o que causa a diminuição da densidade da solução.

Por outro lado, para carregar a bateria, deve-se ligá-la a um gerador de corrente contínua que movimente a corrente elétrica em sentido contrário ao do seu funcionamento normal; com isso, todas as reações acima serão invertidas.


Vantagens das baterias:

  •       Produzem corrente elétrica elevada em tempo curto, como é necessário para dar partida no motor do carro;
  •     São recarregáveis.

Desvantagens das baterias:

  •          Têm peso elevado, em comparação com a energia total que produzem;
  •           Contêm uma solução de ácido sulfúrico, que produz vapores tóxicos e corrosivos e oferece o risco de um eventual vazamento.




2.      Pilha de Leclanché.





A pilha seca comum, que usamos atualmente, foi inventada por George Leclanché em 1865. Pilhas desse tipo dão voltagem de 1,5 V, são relativamente baratas e, por isso, são muito usadas em lanternas, aparelhos de som portáteis, brinquedos, etc.

O polo negativo é o zinco, que constitui o próprio corpo interno da pilha. O polo positivo é o MnO2, em pó, que está presente na pasta interna da pilha. Essa pasta tem caráter ácido, devido à presença do NH4Cl. A barra de grafite funciona como polo positivo apenas na condução de corrente elétrica. As reações são complicadas e não totalmente esclarecidas. Em linhas gerais, ocorre o seguinte:
                                     
No anodo: polo – {Zn  à Zn2+ + 2e-
No catodo: polo positivo + {2MnO2  + 2 NH4+  + 2e- à Mn2O3  + 2NH3  + H2O
Reação global: {Zn + 2MnO2 + 2 NH4+ à Zn2+ + Mn2O3 + 2 NH3 +H2O

Na verdade, essas pilhas não funcionam totalmente a seco; no seu interior as pastas são úmidas, o que dificulta a migração dos íons. Por isso, só obteremos delas um rendimento máximo intercalando períodos de uso e de repouso. Além disso, considerando que suas reações são muito complexas e que a migração dos íons através da pasta é muito lenta, concluímos facilmente que essas pilhas não podem ser recarregadas como a bateria de um automóvel.


33.      Pilhas alcalinas



As pilhas alcalinas baseiam-se no mesmo esquema e, praticamente, nas mesmas reações das pilhas secas comuns, apenas sendo trocado o eletrólito NH4Cl (que é ácido) pelo KOH (que é alcalino) — daí o nome de pilhas alcalinas. As pilhas alcalinas dão voltagem de 1,5 V, e também não são recarregáveis. Comparando-as com as pilhas secas comuns, as pilhas alcalinas duram mais, mantêm a voltagem constante por mais tempo e produzem cerca de 50% a mais de energia, porque o KOH é melhor condutor eletrolítico e por isso a resistência interna dessa pilha é menor.

Em linhas gerais, suas reações são:

No anodo: polo – {Zn + 2OH à Zn(OH)2 + 2e-
No catodo: polo positivo + {2MnO2  + 2 H2O + 2e-                à Mn2O3  + 2OH
Reação global: {Zn + 2MnO2 + H2O            à Zn(OH)2 + Mn2O3


4.      Pilhas de Mercúrio



As pilhas de mercúrio não são recarregáveis; têm vida longa, boa capacidade de armazenar energia e apresentam voltagem de 1,35 V, que se mantém constante por longo tempo. São, em geral, construídas em tamanho diminuto e, por isso, são empregadas em aparelhos pequenos, como calculadoras portáteis, aparelhos de surdez, relógios de pulso, etc.

A pilha de mercúrio baseia-se nas seguintes reações, em meio alcalino (KOH):
No anodo: polo - { Zn  + 2OH- àZn(OH)2 + 2e-
No catodo: polo + { HgO + H2O + 2e- à Hg + 2OH-
Reação global: { Zn + HgO+ H2O à Zn(OH)2 + Hg


5.      Pilha de níquel-cádmio.



A pilha de níquel-cádmio é baseada nas seguintes reações em meio alcalino (KOH):

No anodo: pólo - { Cd + 2 OH- à Cd(OH)2  + 2e-
No catodo: pólo + { 2 NiO(OH) + 2 H2O + 2e-à 2 Ni(OH)2  + 2OH-
Reação global: { Cd + 2 NiO(OH) + 2 H2O àCd(OH)2 + 2 Ni(OH)2

Essas pilhas dão voltagem de 1,4 V, que se mantém constante até a descarga e, quando fora de uso, demoram mais tempo para se descarregarem. A grande vantagem é que elas podem ser recarregadas até 4.000 vezes, sendo, por isso,
empregadas em aparelhos elétricos sem fio, como câmeras de vídeo, barbeadores elétricos, telefones sem fio, ferramentas portáteis e em alguns modelos de telefones celulares. A desvantagem é que são muito mais caras do que as baterias de chumbo.


6.      Pilha de lítio ou pilha de lítio-iodo



A pilha de lítio-iodo revolucionou a história do marca-passo cardíaco. No coração existe o chamado nódulo sinusal, que controla as batidas cardíacas por meio de impulsos elétricos. Em nosso dia-a-dia as batidas cardíacas variam, mas um coração sadio consegue regularizá-las. No entanto, com a idade, ou por motivo de doenças, infecções, etc., o coração pode se tornar lento, provocando cansaço, tonturas, palpitações, etc. Torna-se necessária, então, uma cirurgia para o implante de um marca-passo no peito do paciente.

Através de um fio, que é colocado em uma grande veia e chega até o coração, o marca passo transmite seus impulsos elétricos, que voltam a regularizar as batidas cardíacas. O primeiro marca-passo da história da medicina foi implantado em 1958. No início, o grande problema residia nas pilhas que alimentam o aparelho.

Em 1967, a Catalyst Research Corporation, nos Estados Unidos, iniciou as pesquisas, que culminaram com a fabricação das pilhas de lítio-iodo. Essa pilha funciona com base na reação 2 Li + I2       2 LiI e obedece ao esquema abaixo. O iodo é aglomerado a um polímero na proporção de 6 : 1, fica envolto pelo lítio, e o conjunto é blindado com um revestimento de níquel ou aço inoxidável. A pilha de lítio fornece uma voltagem de 2,8 V e não pesa mais que 20 g. Suas vantagens são a não emissão de gases (o que permite fechá-la hermeticamente) e, o que é mais importante, uma duração de 5 a 8 anos, evitando assim que o paciente seja obrigado a frequentes cirurgias para trocar o marca-passo.


8.      Pilha ou célula de combustível.



Ao contrário das pilhas descritas anteriormente, que são dispositivos que armazenam energia elétrica, as pilhas de combustão são dispositivos de conversão contínua de energia química em energia elétrica. A idéia, em linhas gerais, é simples. A queima dos combustíveis produz energia.

Esse calor (energia) pode ser usado numa usina termoelétrica para produzir eletricidade, quando se obtém um rendimento da ordem de 40%. Considerando que as combustões são reações de oxi-redução, a idéia das pilhas de combustão é obter a energia liberada pela combustão já diretamente na forma de energia elétrica, o que eleva o rendimento para cerca de 55%.

Pilhas desse tipo foram usadas nas espaçonaves Gemini, Apolo e, agora, nos ônibus espaciais. Elas funcionam pela reação de combustão entre o hidrogênio e o oxigênio, produzindo água. As reações são:

No anodo: { H2 + 2OH à2H2O + 2e-
No catodo: {1/2 O2 + H2O + 2e-à2OH-
Reação global: {H2 + ½ O2 àH2O

A grande vantagem da célula de combustível é seu funcionamento contínuo e a produção apenas de água, que não polui o meio ambiente (nas espaçonaves, essa água é usada pela tripulação). Outra vantagem é ser mais leve do que, por exemplo, as baterias de chumbo. Sua principal desvantagem ainda é seu alto custo.

Previsão da espontaneidade das reações de oxi-redução.


Essa previsão segue o mesmo raciocínio feito para o cálculo da força eletromotriz (fem) das pilhas. Se o ΔE0 calculado for positivo, a reação será espontânea, caso contrário, a reação não será espontânea.
Os elementos que estão no início da tabela são os redutores mais fortes, enquanto que os que estão no final da tabela são os oxidantes mais fortes.

Todo elemento ou substância que está mais acima na tabela age como redutor dos que estão mais abaixo e, portanto sofre oxidação.


1º exemplo: reações de deslocamento entre metais.
É possível a reação Zn + FeCl2  -->  ZnCl2 + Fe, em que o Zn desloca o Fe do FeCl2?
Do ponto de vista da oxi-redução, essa reação corresponde a:
Zn0 + Fe2+ --> Zn2+ + Fe0
Relacionando como nos cálculos da fem das pilhas, concluiremos que:
Equação do Zn0 invertida: Zn0  -->    Zn2+ + 2e-                  - E0 = 0,76 V
Equação do Fe2+ mantida: 2e- + Fe2+   -->   Fe0                  E0 = - 0,44 V
Equação global: Zn0 + Fe2+  -->  Zn2+ + Fe0                   ΔE = 0,32 V

E, uma vez que ΔE0 > 0, concluímos que a reação é possível (espontânea). Portanto, de modo geral, podemos dizer que todo metal que está acima na tabela dos potenciais-padrão desloca o cátion de um metal que está mais abaixo.


2º exemplo: reações de deslocamento entre não-metais.
É possível a reação 2NaCl+Br2    --> 2NaBr + Cl2, em que o Br2 desloca o Cl2 do NaCl?
Do ponto de vista da oxi-redução, essa reação corresponde a:
2Cl- + Br2  -->  2Br- + Cl2
Da tabela dos potenciais-padrão dos eletrodos, temos:
Equação do Cl- invertida: 2Cl-   -->  Cl2 + 2e-                     - E0 = -1,36 V
Equação do Br2 mantida: 2e- + Br2   -->   2Br-                E0 = 1,07 V
Equação global: 2Cl- + Br2    -->  2Br-+ Cl2                    ΔE = - 0,29 V

E, uma vez que ΔE0 < 0, concluímos que a reação não é possível (não é espontânea). A reação inversa será espontânea, pois ΔE0 será positivo.
No 1º exemplo, dissemos que um metal (que é redutor) pode deslocar (reduzir) o cátion de um metal  que está mais abaixo na tabela dos potenciais-padrão. Com os não-metais  (que são oxidantes) ocorre o contrário: um não-metal mais abaixo desloca (oxida) outro não-metal que está localizado mais acima na tabela.

3º exemplo: reações de oxi-redução quaisquer.
Vamos examinar a espontaneidade da seguinte reação, que ocorre em meio ácido:
SnCl2 + H2O2 + 2HCl  --> SnCl4 + 2H2O
Do ponto de vista da oxi-redução, essa reação pode ser abreviada para:
Sn2+ + H2O2 + 2H+  --> Sn4+ + 2H2O
Da tabela dos potenciais-padrão, temos:
Equação do redutor invertida: Sn2+  --> Sn4+ + 2e-                    - E0redutor = -0,15 V
Equação do oxidante mantida: 2e- + 2H+ +H2O2  -->      2H2O                        E0oxidante = 1,07 V
Equação global: Sn2+ + H2O2 + 2H+  -->       Sn4+ + 2H2O              ΔE0 = 1,63 V

O valor positivo de ΔE0 indica que a reação é espontânea.
Examinemos agora a equação:
10FeSO4 + 2KMnO4 + 8H2SO4    -->  5Fe2(SO4)3 + K2SO4 + 2MnSO4 + 8H2O

Do ponto de vista da oxi-redução, essa reação pode ser abreviada para:
10Fe2+ + 2MnO4- + 16H+ -->   10Fe3+ + 2Mn2- + 8H2O
Da tabela dos potenciais-padrão, temos:
Equação do redutor invertida (x10):
 10Fe2+  --> 10Fe3+ + 10e-              - E0redutor = 0,77 V

Equação do oxidante mantida (x2):
 10e- + 16H+ + 2MnO4-  --> 2Mn2+ + 8H2O         E0oxidante = 1,51 V

Equação global: 10Fe2+ + 2MnO4- + 16H+ -->10Fe3+ + 2Mn2- + 8H2O                    ΔE0 = 2,28 V

Novamente, o valor positivo de ΔE0 indica que a reação é viável.


4º exemplo: reações de metais com ácidos.
Todo metal acima do hidrogênio na tabela pode desloca-lo de um ácido. Contudo, isso não significa que um metal abaixo do hidrogênio não possa reagir com um ácido fortemente oxidante, seguindo uma reação diferente da reação de deslocamento de hidrogênio. Por exemplo:
3Ag + 4HNO3 --> 3AgNO3 + 2H2O + NO
Notamos que há liberação do gás H2, mas sim do gás NO. Essa reação pode ser abreviada para:
3Ag + 4H+ + NO3  --> 3Ag+ + 2H2O + NO
Da tabela dos potenciais-padrão, temos:
Equação do redutor invertida (x3):
 3Ag0  --> 3Ag+ + 3e-                  - E0redutor = - 0,80V

Equação do oxidante mantida:
 3e- + 4H+ + NO3-  --> 2H2O + NO  E0oxidante = 0,96V

Equação global: 3Ag + 4H+ + NO3 --> 3Ag+ + 2H2O + NO     ΔE0 = 0,16V

O valor positivo de ΔE0 indica que a reação é inspontânea.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Cálculo da força eletromotriz (FEM) das pilhas



O cálculo da fem é uma consequência imediata da tabela dos potenciais padrão de eletrodo.
Procuraremos explicar esse assunto por meio de alguns exemplos.

1˚exemplocálculo da fem da pilha de Daniell em condições-padrão

A pilha de Daniell funciona com base na reação:

Zn0  + Cu2+    ®   Zn2+  + Cu0

que corresponde às seguintes semi-reações:

•oxidação do Zn0 (que é o redutor): Zn0     ®   Zn2+  + 2e-
• redução do Cu2+ (que é o oxidante): Cu2+  +   2e-    ®   Cu0
Na tabela dos potenciais-padrão de eletrodo (página anterior), encontramos:
2e-   +   Zn2+     ®   Zn0           E0redutor =  redutor = - 0,76 V
2e-   +   Cu2+     ®   Cu0           E0oxidante =  oxidante  = + 0,34 V

Temos, portanto:

Invertendo a 1ª equação: Zn0 ®   Zn2+  +   2e-         - E0redutor =  redutor = +0,76 V
Mantendo a 2ª equação: 2e-   + Cu2+  ®  Cu0           E0oxidante =  oxidante  = + 0,34V
________________________________________________________________________
Somando e cancelando os elétrons:  Zn0 + Cu2+ ®   Zn2+ + Cu0     
DE0 = E0oxidante - E0redutor
DE0= + 0,34V + +0,76 V
DE0= +1,10V

Graficamente, teríamos (acompanhando as posições na tabela dos potenciais): 
















Concluímos desse modo que, na tabela dos potenciais-padrão de eletrodo, todo elemento ou substância que está mais acima funciona como redutor em relação a um elemento ou substância que está mais abaixo (que funciona então como oxidante). Isso implica dizer que a reação de cima funciona no sentido de oxidação (reação invertida), enquanto a reação de baixo funciona no sentido de redução (reação direta).
Nessas circunstâncias, podemos afirmar também que:

A FEM (∆E0) de uma pilha, em condições-padrão (isto é, com soluções 1mol/L e a 25°C)
é a diferença entre o E0 do oxidante (catodo) e o E0do redutor (anodo).


2˚exemplocálculo da FEM da pilha Al0|Al3+|| Fe2+|Fe0 em condições-padrão

Essa pilha corresponde à reação: 2 Al0 + +  3 Fe2+  ®  2 Al3+ +  3 Fe0
Na tabela dos potenciais-padrão, encontramos a semi-reação do Al0 (redutor) acima da semi-
reação do Fe2+ (oxidante). Temos, portanto:
Equação do Al0 invertida (X2):  2Al0   ®  2Al3+ + 6e-             - E0redutor =  +1,66 V
Equação do Fe2+ mantida (X3): 6e- + 3Fe2+ ®  3Fe0              E0oxidante =  - 0,44V
________________________________________________________________________

Equação global da pilha:    2Al0  + 3Fe2+    ®     2Al3+   +   3Fe0           DE0= +1,22V

Note que fomos obrigados a multiplicar a primeira equação por 2 e a segunda por 3 para haver o cancelamento do número total de elétrons — que é a condição fundamental do alanceamento de qualquer equação de oxi-redução. 
Os valores de E0, no entanto, são mantidos, e o cálculo do ∆E0 será sempre o mesmo (DE0 = E0oxidante - E0redutor), quaisquer que sejam os coeficientes das equações de semi-reação utilizadas.












A Pilha de Daniell


Pilha é um sistema em que a energia química é transformada de modo espontâneo em energia elétrica.

Em 1836, o químico e meteorologista inglês John Frederic Daniell (1790-1845) construiu uma pilha diferente da até então conhecida na época: a pilha de Alessandro Volta. Nesta pilha ele interligou dois eletrodos, que eram sistemas constituídos por um metal imerso em uma solução aquosa de um sal formado pelos cátions desse metal.
Um dos eletrodos, o eletrodo de cobre, era constituído de uma placa de cobre mergulhada em uma solução de sulfato de cobre (CuSO4). O outro eletrodo era o de zinco, constituído de uma placa de zinco mergulhada em uma solução de sulfato de zinco (ZnSO4).
Esses dois eletrodos foram interligados por um circuito elétrico que continha uma lâmpada, pois se ela acendesse, indicaria o surgimento de uma corrente elétrica.
Além disso, havia uma ponte salina entre elas. Essa ponte era constituída de um tubo de vidro em U contendo uma solução aquosa concentrada de um sal bastante solúvel, como o cloreto de potássio (KCl(aq)),por exemplo. As extremidades do tubo são revestidas com um algodão ou com ágar-ágar.
Abaixo temos a estrutura dessa pilha ou cela eletroquímica, que ficou conhecida como pilha de Daniell. Lembrando que cada eletrodo recebe a denominação de semicela.
Com o circuito fechado, a lâmpada se acende e após, algum tempo, a placa de zinco é corroída e tem a sua massa diminuída, já na de cobre ocorre o contrário, sua massa aumenta (conforme a figura abaixo). Nota-se também que há um aumento da concentração em mol/L dos íons Zn2+ e uma diminuição dos íons Cu2+.


Esquema da Pilha de Daniell.

Por que isso ocorre?
Para entendermos, vejamos as reações que ocorrem em cada eletrodo separadamente.
No eletrodo de Zinco ocorre a seguinte reação em equilíbrio:
Zn( s)   ↔  Zn2+(aq) + 2 e-
Isso significa que o zinco metálico (da placa) sofre oxidação, isto é, doa dois elétrons para o cátion zinco (da solução) e se transforma em Zn2+. O inverso também ocorre, o cátion zinco presente na solução recebe os dois elétrons doados pelo zinco e se transforma em zinco metálico. Ocorre, portanto, um processo de oxidação e redução ininterrupto.
O mesmo se aplica ao eletrodo de cobre, que terá a reação global em equilíbrio dinâmico: Cu( s)   ↔  Cu2+(aq) + 2 e-
Daniell percebeu que se ligasse esses dois eletrodos, o mais reativo doaria seus elétrons para o cátion menos reativo em vez de fazer isto com os cátions da sua própria solução. Neste caso, o zinco é o mais reativo e sofre oxidação, doando os elétrons para o cobre, por isso a diminuição da sua massa. O eletrodo que sofre oxidação é o polo negativo, chamado de ânodo. O eletrodo de cobre é o que sofre a redução, o cátion cobre recebe os dois elétrons do zinco, e é denominado cátodo (polo positivo).


Passagem de elétrons e equação global da Pilha de Daniell.

Acima temos a equação global dessa pilha, que é obtida pela soma das duas semirreações. Sua representação ou notação química é feita obedecendo a seguinte regra:


Assim, para a pilha de Daniell temos:
Zn / Zn2+// Cu2+ / Cu